Desde que o mundo é mundo,que viver é a arte de saber aproveitar da melhor maneira possível os bons momentos e driblar aquelas situações menos prazerosas. Ninguém é feliz o tempo todo, vivemos altos e baixos que nos trazem um sofrimento até necessário para o nosso processo de crescimento interior e nos ajuda a dar valor às nossas conquistas, no entanto, tristeza causa um vazio. Só não podemos é nos abater diante da tristeza que o sofrimento nos causa e deixá-la interferir em todos os segmentos de nossa vida que continua apesar dos pesares, bloqueando a objetividade da razão. No silêncio da tristeza, nos tornamos introspectivos e mergulhamos no nosso íntimo, pensamos e refletimos e depois de noites insones o novo amanhã pode nos sorrir. A vida é assim...
Tristeza – Rubem Alves
Há tristezas de dois tipos
Primeiro, são as tristezas diurnas, quando o
mundo está iluminado pelo sol.
Tristezas para as quais há razões.
Quem não sente essas tristezas está doente e
precisaria de terapia para aprender a ficar triste.
Tristeza é parte da vida.
Ela é reação natural da alma diante da perda de
algo que se ama.
O mundo está luminoso e claro - mas há algo, uma
perda, que faz tudo ficar triste.
Segundo, são as tristezas de crepúsculo.
Crepúsculo é triste, naturalmente.
Não, não há perda nenhuma.
Tudo está certo. não há razões para ficar triste.
A despeito disso, no crepúsculo a gente fica.
Talvez porque o crepúsculo seja uma metáfora do
que é a vida: a beleza efêmera das cores que vão
mergulhando no escuro da noite.
A vida é assim.
Se é manhã brilhante o tempo todo, alguma coisa
está errada.
Tristeza é preciso. a tristeza torna as pessoas
mais ternas.
Se é crepúsculo o tempo todo, alguma coisa não
está bem.
Alegria é preciso. alegria é a chama que dá
vontade de viver.
Eu acho que essa tristeza crepuscular é mais que
uma perturbação psicológica.
Acho que ela tem a ver com a sensibilidade
perante a dimensão trágica da vida.
A vida é trágica por que tudo o que a gente ama
vai mergulhando no rio do tempo.
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