Estava pensando no que eu queria ser quando era pequeno e no que me transformei. Ainda bem que nem papai noel tampouco g-zuz escutam as criancinhas, pois se assim fosse, estaria eu fodido. Bem fodido. Primeiro porque eu sonhava em ser o Fofão. Segundo porque eu era apaixonado pela vovó Mafalda. E terceiro porque eu pretendia ganhar dinheiro copiando à punho papéis de carta e revendendo aos meus amigos pouco criteriosos - vamos assim chamar para evitar constrangimentos (bando de burros). Sim, eu vendia papéis de carta que desenhava na janela do meu quarto - já naquela época, pouco habilidoso mas com uma imaginação do capeta, colocava os originais no vidro, contra a luz do dia, e copiava os desenhos descaradamente. Não, eu não era capitalista. Apenas não usufruia de arrego em casa para comprar docês no colégio e me apoiava na permuta dos papéis por balas e chocolates para saciar minhas necessidades calóricas. Afinal, desenhar cansa. (Graças a iso hoje eu odeio quaisquer tipos de guloseimas).
Chegando na adolescência, resolvi que seria cantor, mesmo ciente de minhas limitações vocais (minha voz é mais feia que bater em mãe). Apostei na superação de meus próprios limites. Entrei para um coral e participei de algumas aulas de técnica vocal. Óbvio que não surtiram efeito. Decidi então, não baixando a cabeça diante das dificuldades impostas pela vida, continuar na luta para realizar meus sonhos. Claro, tive de trocar de sonhos, mas tudo bem, isso é mero detalhe. A fama era meu objetivo. Entrei para um grupo de teatro. A desenvoltura no palco garantiu meu papel como protagonista e lá fui eu tentar dar certo na vida. Aplausos, clap, clap, eu feliz, radiante, amparado por elogios e tudo mais que o sucesso em profissões falidas proporciona. Quando olhei o VT (sim, isso é do tempo do ariri pistola) fiquei petrificado ao ouvir minha voz naquela porra e jurei nunca mais subir no palco.
Depois desta decepção como ator provei à vida que nada, porra nenhuma, sofrimento algum é capaz de derrubar o Malvado. Fui cursar Letras.
E para tu, que está me lendo agora e se perguntando "qual o segredo do sucesso deste homem" eu respondo: em terra de cego, quem tem um olho é caolho. Ahahahahahhahahaha.
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